terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Linguagem dos Anjos - Falando Espanhol

 A nossa querida artista plástica Eva Hernandez nos contatou  ontem à noite para nos enviar os primeiros esboços do trabalho que faz em cima dos personagens e da história de “Anjos, Uma Espécie de Razão Não Comentada”. Insistiu em dizer que “no está listo” inúmeras vezes durante o nosso papo. Eva tem um trabalho muito delicado, incomum e deveras criativo e inovador. Algumas de suas obras, aqui postadas anteriormente foram vendidas por $ 3.000,00 a unidade. Encantada com a abordagem que fazemos em “Anjos”, Eva decidiu criar um conjunto de obras baseadas no texto e nas personagens do nosso espetáculo. Ontem me enviou a série do primeiro personagem (Michael) Interpretado pelo nosso queridíssimo Seani Soares. E mesmo não estando “listo”, confesso que fiquei chocado! Parece que Eva capturou a alma do nosso Michael. Despois de Michael, Eva Hernandez disse que fará a série Nalvinha e soltou uma pedrinha que não deixei escapar “…ella ten colores fuertes, es muy colorida…” Perguntei a ela se poderia postar aqui, com exclusividade para os nossos leitores, só para dar uma palhinha do que está por vir de sua criação em cima do espetáculo e ela me autorizou “embora no estea listo”. Aqui todos estão curiosos com a criação de Eva e em Buenos Aires, estão curiosos em relação ao nosso espetáculo. Da criação de Eva, já daremos uma palhinha, mas da nossa criação… Não tem jeito! É teatro! Tem que ser ao vivo! Buenos Aires, nos aguarde!

Da série “Anjos” – Michael – BY EVA HERNANDEZ

MICHAEL 1 MICHAEL 3MICHAEL 5 MICHAEL 2 MICHAEL 4

 

 

sábado, 21 de novembro de 2009

Desgosto de Filha no Clube da Cena



quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Cortando Cebolas

Sobre o Texto

A história de “Cortando Cebolas” ou “A Hora do Jantar” foi criada a partir do entendimento e rebuscamento dos escritos de um grande filósofo Alemão chamado Schopenhauer. Ele, que prefaz o entendimento da vida como “vontade e representação”, faz com que vejamos os atributos e mudanças deste mundo como fatos totalmente integrados à nossa “vontade de realização” ou de “libertação”.

Sendo assim, este roteiro, é, através de seus personagens, essencialmente crítico e de caráter libertário. Onde todas as personagens realizam a sua vontade mais oculta em busca de sua própria libertação, inflingindo assim, em parte, “positivamente”, sobre alguns signos ainda presentes em nossa sociedade.

A violência contra a mulher é fator recorrente e, sabemos, não somente inerente às camadas mais pobres da sociedade. Há, ainda hoje, isto em diversidade. Nas mais diferentes camadas e organizações sociais.

Esta peça tem, portanto, uma função humanitária inteiramente positiva, visto que colocamos a mulher como foco principal deste signo de liberdade. Prega, neste sentido, a igualdade de ações, de vontades e representações entre homens e mulheres. Tudo isto, para falar que antes de uma “classificação sexual” existe a vida, que é igual para todos. E como em qualquer organização biológica, em qualquer habitat, a priori, todos os seres são livres, assim deve ser a vida do homem ou da mulher! Resgatando um tempo onde isso não era possível, ultrapassamos a barreira do mais “lógico” e passamos a encontrar, por vezes, homens no “lugar comum” de mulheres, como é o caso do Peixoto, por exemplo, bem como mulheres assumindo postos que concernem à natureza comum dos homens da década de 40, na valentia, na busca pela liberdade e na imposição de sua vontade pela necessidade de afirmação e realizando-a com o intuito de aniquilar determinado problema, separando de sua própria plantação o “joio do trigo”. Isto tudo afim de evidenciar que este senso de liberdade é valor que não escolhe sexo, nem idade. Todos temos o direito e, antes de mais nada, a necessidade de fazê-la presente. Mas para que esse direito se concretize é necessária a luta pela concretização da vontade e, finalmente, a sua realização neste mundo material.

Schopenhauer é, por si só, essa vontade. Ele busca, em seus escritos, este senso. Busca encontrar no lugar comum a explicação para o sentimento que não se explica e, por fim, a idéia da satisfação através da liberdade. Mas para chegar a isto, passamos por caminhos sempre muito dolorosos. Como ele mesmo diz: “A satisfação ou a felicidade, não pode, consequentemente, ser outra coisa senão a supressão duma dor, duma necessidade; pois a esta categoria pertencem, não apenas os sofrimentos reais, manifestos, como também qualquer desejo cuja importunidade nos perturba o repouso, além do tédio mortal que da existência nos faz um peso.”

Creio que assim se defina cada personagem dessa história ou assim se defina, quem sabe, toda a peça em si. O principal neste argumento é notar que é necessário que entendamos, e que, respeitando a vontade e a liberdade individual, continuemos vivendo de maneira mais justa e digna. Obviamente lutando pela supressão de nossas dores, coisa que nem sempre estará necessariamente atrelada a uma realização trágica para que aconteça. Aqui, ao final da peça, embora saibamos que a personagem pricipal terá sua “liberdade” retirada, temos a consciência de que, ainda assim, ela estará livre! Renovando assim os valores e conceitos do que, para ela, é liberdade.

Para a nossa personagem central, este senso tem um caráter muito mais profundo e vai além da “libertação física”. É isto que faz este roteiro sair do lugar comum da ficção para entrar no lugar da necessidade. É preciso que saibamos onde está a nossa “não-liberdade” e aonde é que nós mesmos nos privamos de sermos livres. Até onde permitimos que nos privem dela e, consequentemente, de nossas “vontades” sob a representação das nossas vidas. Tudo isto está aqui, ainda que representado de forma trágica, mas nem por isso impossível ou absurda.

Esta será  uma das minhas próximas montagens.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

À Noite em Gaiola Prismática

Texto Encenado Pelo Clube da Cena – Teatro Glaucio Gil –RJ

Dia 25/11/2009 – 20:00 h

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O cenário simples compõe a praça de uma cidade . É noite. “A” passa pela rua. “B” vem em sentido contrário. Eles se encontram e observam-se durante um tempo.

B- Está perdido, eu sei. É novo por aqui, já saquei. Mas se você está aqui, à essa hora, é porque procura por alguém, mesmo porque você não mora aqui. Nunca vi o seu rosto nas redondezas. E se você procura por alguém, esse alguém certamente não é qualquer um. Nem haveria de ser. Salvo se você o procurasse por algum motivo escuso... Sem critério...

A-Eu não procuro por ninguém, eu só quero passar. E você se engana quando diz que não moro nas redondezas. Como pode dizer se moro aqui ou deixo de morar? De qual cadeira você afirma isso? E porque preciso estar procurando por alguém? Não posso simplesmente passar?

B- Não! Não pode. Mesmo porque você não é dessas pessoas que passam em algum lugar simplesmente por passar. Você vem de um lugar e vai para outro que eu sei. Você procura alguém... Notei isso logo que vi a expressão do seu rosto... Você procura por algo...

A-Mas procurar pelo que, amigo? Eu só quero passar!

B-Você é um sujeito bem solitário, não é? E sofre com isso!

A-Desculpe, mas isso não lhe interessa.

B-É claro que interessa.

A-Escuta, quem é você, heim? Você pode me deixar passar? Eu não estou muito afim de conversa!

B-Eu sou você ontem, hoje e amanhã! E não, eu não vou lhe deixar passar.

A-Você é um sujeitinho muito ousado, não é? Quem você pensa que é para não me deixar passar? E para dizer que sou eu ontem, hoje e amanhã? Para o seu governo, meu amigo, eu não tenho consciência. E sim, eu vou passar sem ir necessariamente para algum lugar...

B- Não, não não não não... Você não vai conseguir passar.

A-Por que?

B-Porque a curiosidade agora impera em você. Se você passar não vai descobrir quem eu sou e vai ficar com isso na cabeça pelo resto da vida. Vai deitar na cama, mas não vai conseguir dormir. Vai pensar “que raio de cara esquisito era aquele que você encontrou na rua e que não queria lhe deixar passar!” Então você voltará aqui, neste lugar, para ver se ainda estou. Mas eu não vou estar!

A-Me deixa passar...

B- À vontade...

“A” tenta passar por “B”, mas estaca no meio do caminho. Volta-se para “B” que agora está de costas para ele...

A-Você já me esperava...

B-Eu?

A-Já! Você sabia que eu ia chegar...

B-Imagina, você tá pirando, cara!

A-Não, você sabia... Senão por que me questionaria sobre coisas que só me dizem respeito? Se moro aqui ou se deixo de morar, se procuro alguém ou deixo de procurar... Como afirmaria isso tudo com tanta certeza? Você...

B-Você é um sujeito muito cismado, rapaz! Cara, eu já lhe disse: Eu sou você ontem, hoje e amanhã. Eu sou a sua consciência, entendeu?

A-A minha consciência? Não, não pode ser... Mesmo porque você é real.

B-E a sua consciência é fictícia?

A-Eu não tenho consciência! Apenas levo a vida da maneira que melhor me parece! Eu faço o que me dá vontade! Vou e venho como quero!

B-Um nômade inconsciente! É isso que você é? Cara como você é absurdo! E é absurdo você dizer que não tem consciência. Ninguém no mundo pode não ter consciência! Todo mundo tem. Pode escolher não usar...

A-Então é isso! Exatamente isso. Eu escolhi não usar a minha. O que você quer?

B-Nada!

A-Não, você quer alguma coisa, senão também não estaria aqui, à essa hora, nesse lugar. Quem é você?

B- Digamos então que eu seja uma espécie de demônio da noite.

A-Um demônio da noite?

B-Sou. Antes mesmo de você passar, abriram-se as portas do inferno e eu saí para te atazanar!

A-Sei...

B-Você não acredita! Mas é verdade!

A-O que você quer?

B-Nada, já disse!

A-Você não pode não querer nada, amigo! Você tem que querer alguma coisa, não é possível! Eu estou passando e você atravessa o meu caminho, me impede de passar, e não quer nada com isso?

B- Eu não lhe impedi de passar. O caminho estava livre... Você não passou porque não quis. Eu não queria nada mesmo, nem quero.... Mas você sim... Você é que quer alguma coisa... Ou algo comigo ou com outra pessoa... O que você quer, me diga? Vamos, me diga! O que você quer?

A-Ir embora desse lugar.

B-Pois vá... Você é livre! Vá... (“A” tenta ir, “B” o impede de passar) Ah, ah, ah, ah, ah! Se eu fosse você não iria...

A-Agora você está me impedindo de passar...

B-Não, estou apenas te dando um conselho para o seu próprio bem.

A-Para o meu próprio bem?

B-Sim. Você não vai conseguir dormir, irmão! Vai ficar perturbado! O que você fazia aqui, de verdade? Vamos, me diga! Procurava uma vagabunda? Drogas... Planejava um assalto... O que você faz aqui, de verdade?

A-Eu passo! Só isso! Ou tento passar....

B-Eu te acompanho, amigo! E sei que você não estava passando só por passar.

A-Como assim você me acompanha?

B-Acompanho!

A-E como assim sabe que não estava passando só por passar?

B-Porque eu sei!

“A” pega “B” pelo colarinho.

A-Escuta aqui, cara: O que você quer de mim? Vamos, diga! Eu não estou mais com paciência para aturar essa sua cara amassada me interpelando e me fazendo acreditar que estou aqui porque quero estar! Que não passo por passar! Eu não quero estar aqui! E eu passo por passar! Eu só quero seguir o meu caminho, mais nada! Eu não tenho consciência! Estou certo disso! Mas eu desejo realmente saber o que você quer de mim. Se você não me disser agora, eu juro que vou te arrebentar! E juro que você nunca mais será o mesmo nessa vida!

B-Calma!

A-Como é que eu posso ter calma com um sujeito como você?

B-Conta até dez! Um, dois, três, quatro, cinco...

A-Você é um louco! Maldito!

B-Seu casaco é bonito! Posso ver?

A-Não!

B-Pra que tanto amor por um casaco? Você não leva isso!

A-Eu não tenho amor a esse tipo de coisa. Jogo no chão, se quiser e vou embora sem me importar com isso. Não tenho amor a nada na vida.

B- Nem a você mesmo, eu suponho.

A-Não, nem a mim.

B-Eu já sabia disso.

A-Ah, sim, você é um demônio da noite que lê a mente das pessoas, não é? Quem é você cara?

B-Seu melhor amigo.

A- Meu melhor amigo?

B-Sou sim. Eu sei tudo sobre você. Os melhores amigos sempre sabem...

A-Ah, é? Está bem... Está bem então... (Num crescente) Em que ano eu nasci?

B-1974.

A-Com quantos anos eu fumei meu primeiro cigarro?

B-14.

A-Com quantos anos abandonei a faculdade?

B-22.

A-Quem foi a minha primeira mulher?

B-Elisângela, uma prostituta!

A-Quando foi que eu saí de casa?

B-Aos 15, por revolta.

A-Qual o nome da minha mãe?

B-Arlete Gonzales!

A-Impossível! Como é que você me conhece tanto assim?

B-Estou te falando... Eu sei tudo sobre você!

A-Mas quem é você?

B-Eu sou você, amigo! Você! E posso dizer qualquer coisa ao seu respeito. Você vai lembrar de mim depois do que vou lhe dizer: Quando criança... você era um cara sozinho. Ninguém gostava de você. Porque você era bem “esquisito” na verdade. Não brincava na rua... Não falava com ninguém na escola... Era uma espécie de ícone misterioso para seus colegas e professores. Era um cara egoísta e extremamente solitário. Foi aí que eu apareci na sua vida. Você começou falando sozinho... Depois começou a me assumir... Devagar e aos poucos... Quando eu menos esperei... Você já pedia para sua mãe por mais um prato na mesa... “Mas para quem?” - ela dizia... E você... “Para o Charlie”. Você lembra disso?

Ambos sentam-se no banco da praça.

A-Isso... Isso realmente existiu. Mas eu era uma criança. Isso que você me diz é normal que aconteça. Toda criança passa por isso.

B-Nem todas...

A-Você está querendo dizer que eu sou louco então, é isso?

B-Não... Eu não estou querendo dizer isso. Para mim, você é mais são que muitas pessoas desse mundo.

A-E o que você quer de mim, afinal?

B-Nada. Eu nunca quis nada de você, você é que quis de mim... Sempre.

A-E por que você voltou assim? De repente... À essa hora da noite? Numa rua deserta?

B-Porque você precisa de mim. Você está enfrentando um momento difícil que eu sei.

A-Sim, estou é verdade.

B-Então pra que tantos rodeios? Desabafa comigo, cara... O que está acontecendo com você? Fala comigo! Fala!

Pausa. “A” olha para “B” controlando-se.

A-Eu não posso falar sobre essas coisas. Não confio nas pessoas.

B-Mas você pode confiar em mim. Porque eu sou você. Não posso te fazer mal algum. Fala!

B.O. Gradual e música (solo de violão, se quiser) até o fim. “B” observa “A” que desabafa com extrema dificuldade. “B” Pode sair antes que “A” termine de falar deixando-o desabafar como se tivesse alguém naquele lugar.

A-Há muitas noites eu não consigo dormir... Eu fico olhando a luz do poste na janela. Ela pisca quando os mosquitos batem. Recentemente eu me casei e vivi o maior inferno da minha vida... Perdi minha esposa e filhos num acidente de carro... Perdi também a minha casa porque fiquei desempregado e não consegui pagar as prestações. Perdi a esperança de dias melhores... Desde então eu vivo vagando pelas madrugadas... Me perguntando se Deus existe e procurando alguma coisa dentro de mim que me dê novamente essa esperança... Algum sentido de continuar aqui, nesse universo... Eu sei que preciso reencontrar alguma coisa dentro de mim... (já em B.O Total) Mas o que? O que? Eu não consigo visualizar...

sábado, 24 de outubro de 2009

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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

JURAMENTO


quinta-feira, 22 de outubro de 2009

PÉTALAS

SARAJEVO

Para que reflitamos sobre a nossa responsabilidade no mundo enquanto artistas ou simplesmente enquanto seres humanos.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

SORRISO

Do teu sorriso nasce um amanhã

Desse teu rosto leve e tranqüilo

Nasce em mim uma esperança, depois do divã

Esse nosso jeito de sentir, de viver

É tão profundamente encantado que me calo

E não canso de calar-me diante disto

Porque palavras não são necessárias

Quando se vive, ou se viveu

Algo tão bom quanto o teu sorriso.

E o meu sorriso é só por ver o teu

Assim aberto, prolixo,

É engraçado o seu sorriso.

Quisera eu ter um igual ao seu

O meu sorriso é pela emoção de te ver sorrindo

E também é bom esse meu sorriso

Já que, sorrindo, me sinto mais leve,

Mais alegre,

E tudo em volta novamente enrubesce.

Sorrindo, tudo até parece mais belo

E até a vida toma um novo sentido

Quando estou ou quando vejo alguém sorrindo.

domingo, 18 de outubro de 2009

Em Breve…

Anjos_previa web