A História do Soldado (do original francês L'Histoire du Soldat), montagem inédita não apenas por sua concepção arrojada e apresentada em português, mas principalmente por ser completa e teatralizada, voltará aos Palcos cariocas em 2012. O espetáculo, com poucas apresentações no teatro Nelson Rodrigues, contará com a execução das músicas de Igor Stravinsky ao vivo pela premiada Orchestra Bachiana Brasileira. O argumento, de inspiração faustiana, é baseado num conto popular Russo. A obra foi composta por Stravinksy para sete instrumentos (violino, contrabaixo, fagote, corneta, trombone, clarinete e percussão) e criada a partir do texto de seu amigo Charles Ferdinand Ramuz.
SOBRE A OBRA DE STRAVINSKY
O início da carreira de Stravinsky ficou marcado pelo vigor da música tradicional russa e pelas referências estéticas do primitivismo na arte, cujo maior exemplo é A sagração da primavera. Depois disso, o compositor virou a página e assumiu a vanguarda do neoclassicismo. A história do soldado foi a primeira obra a ser escrita no quadro dessa nova disposição criativa. Consiste numa partitura para sete instrumentos que se desenvolve numa dimensão cénica, ao fazer-se acompanhar por uma história "para ser lida, interpretada e dançada".
Decorria o ano de 1918 e o mundo ainda estava em guerra. Nesse contexto, Stravinsky concebeu esta opereta itinerante, "dando voz" a um soldado que vira as costas à guerra e se coloca a caminho de casa com o seu velho violino. Revela-se então um universo fantasioso em que têm lugar um amor desfeito, um diabo, uma princesa, toda a magia da música e o triunfo da traição
SOBRE A HISTÓRIA DO SOLDADO
Corria o ano de 1918. O mundo estava em guerra, a Rússia andava às cegas com a fome e com sucessivos golpes revolucionários. Aos olhos do povo, até parecia que o diabo andava à solta. E foi assim que surgiu a ideia duma opereta. Stravinsky compôs a chamada “História do Soldado”. Um militar que decide simplesmente virar as costas à guerra.
O cabo pega na trouxa e no seu velho violino, e põe-se a caminho de casa, à pé. Lá pelas tantas aparece o diabo disfarçado de velhote propondo ao soldado uma troca. “Você me dá o violino e eu te dou um livro que te trará riqueza e felicidade.” Bom negócio, pensa o soldado, mas como não sabe ler, pede ao diabo que o ajude a decifrar o texto. Isso demoraria 3 dias diz o diabo. O som do violino, na opereta, representa o soldado às voltas com o livro. Fazem a troca. O soldado se pôe novamente à caminho de casa. Passaram 3 anos. O diabo disse que eram só 3 dias. Quando chega a casa o soldado descobre que a noiva o deixou, convencida de que ele havia morrido na guerra. Ela, já estava casada e com filhos. Total desilusão.
O soldado volta a vagar pela estrada. Quando chega à grande cidade se depara com um desfile real. A alegria da realeza é aparente. O rei está aflito porque a princesa está deprimida e só melhora com música. O rei em
desespero promete a mão da filha a quem conseguir cura-la. O soldado chama pelo diabo e propõe-lhe jogar carta e se ganhar o diabo lhe devolve o violino para que tente curar a princesa com sua música. A negociação entre os dois é representada pelo duelo musical entre um violino e um clarinete. O soldado consegue vencer o diabo na jogatina.
Ele vai até a princesa tocando uma musica alegre e tira a donzela do torpor. O diabo, escondido, aproveita para lançar um novo feitiço enquanto dança ao ritmo do violino. A princesa desperta e agradecida se casa com o soldado. A vida parece ficar bem. A história aponta para um desfecho idílico. Mas a princesa, algum tempo depois, propõe ao soldado uma viagem. Quando atravessam uma fronteira, o diabo aparece e malandro faz o casal mergulhar num sono profundo. Ficam os dois desmaiados para sempre e o diabo a bailar celebrando o triunfo dançando diabolicamente.
O compositor descreveu os azares da Rússia a partir duma alegoria, em que os sons do não representa apenas música. Pode também simbolizar uma gargalhada, ou numa guerra o diabo a cavalgar nas balas de um canhão.
Para quem não viu a montagem no Centro Cultural dos Correios em 2011, em breve terá uma nova oportunidade de apreciar o Clássico de Stravinsky e Ramuz. A direção do espetáculo é de Luiz Duarte e a Regência Maestro Ricardo Rocha.
Montagem Alemã para Ballet:








