quinta-feira, 27 de maio de 2010

Por Não Saber Me Libertar

untitledMexendo nos meus arquivos, encontrei este “poema” que já tinha dado por perdido. Realmente não me lembrava mais dele. Apenas me recordo que num encontro de poetas que acontece no “Beco do Rato”, eu, por acaso, o li e algumas pessoas  até  me disseram que eu deveria transformá-lo em música. Posto que ele tem mais cara de música. “Música?” Não sei se ele saiu muito como “música”. Não pensei em melodia musical. Mas lendo-o agora,  acho que daria para criar alguma sim e que  pode ser até que ele tenha uma melodia musical escondida atrás de toda a sua particular despretensão . Mesmo porque este saiu saiu num horário em que quase sempre me aflora a perniciosa sensibilidade de todas coisas…

PoR nÃo  SaBeR  mE  LiBeRtAr

Chega de tentar te relevar;

Chega de fingir que está tudo indo muito certo.

No meu pobre coração que já não há

Amor, esperança e nem razão,

Morre aos poucos o meu ser discreto.

Chega de me iludir, dissimular…

Eu já fiz tudo que podia pra te amar

Mas não vi nenhum sucesso.

Dei-lhe tudo que eu tinha em minhas mãos.

O meu sangue, o meu corpo e o meu melhor em provação,

Mas amor, que é bom, não vi nem perto.

Chega de tentar nos reencontrar,

Chega de desatar um nó que é cego.

Já não é justo que eu tente acreditar,

Pois no “amar sozinho” não se conjuga o estar.

Não quero mais fazer de conta que...

Eu já não posso nem sequer, dentro de mim, me encontrar;

Eu não suporto todo dia me enganar,

Ver que a minha vida é um inferno, mas que outros quadros eu não sei pintar.

E tudo isso por não saber como de você me libertar.

Por não saber de você me libertar.

Poema escrito às 04:35 a.m. do dia 04/12/2008.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Noite Quente – Hot Night

Em Junho no CINESUL – MOSTRA COMPETITIVA

Sinopse: Um homem e uma mulher seguem caminhos distintos em uma noite quente no Rio de Janeiro em busca de algo que não sabem como encontrar.

Synopsis: A man and a woman follow different paths on a hot night in Rio de Janeiro in search of something they don't know how to find.

 

Trailer - Noite Quente (Hot Night) from J.C. Oliveira on Vimeo.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

PARANÓIA

(Arlet está numa calçada parada e com uma rosa nas mãos. Mexe e cheira a rosa delicadamente. Santos entra. Arlet olha para ele. Ficam nisso durante um tempo.)

SANTOS

O quê que foi?

ARLET

O que?

SANTOS

Eu tô perguntando o quê que foi!!!

ARLET

O quê que foi o que?

SANTOS

Que você tá aí me olhando!

ARLET

Ué, eu não posso olhar pra você?

SANTOS

Não.

ARLET

Agoooora... A rua é pública, meu filho, olho para quem eu quiser!

SANTOS

Não, pra mim você não pode olhar.

ARLET

Por que? Cai pedaço?

SANTOS

Não, não cai, mas eu não quero que você olhe pra mim...

ARLET

Tá bom... Parei...

SANTOS

Parou o que?

ARLET

De olhar pra você!

SANTOS

E por que?

ARLET

Por quê o que?

SANTOS

Que você parou de olhar pra mim!

ARLET

Porque você não quer que olhe! Não foi isso que você me pediu?

SANTOS

Não, eu não te pedi nada.

ARLET

Agora pronto! Quê que foi, cara? Você bebeu?

SANTOS

Quem eu?

ARLET

Não, minha avó... É claro que é você! Tem mais alguém nesse lugar?

SANTOS

Tem! Tem uma velha gorda comendo doce ali na esquina, um trombadinha do outro lado, um monte de gente rica passando de carro e, naquele prédio, uma mulher tocando siririca no segundo andar... Tô vendo daqui! Tá louquinha. Se colocassem o dedo dela num piano, ela tocaria Schoppin!

ARLET

Você observa tudo, heim rapaz!

SANTOS

Quem eu?

ARLET

Não, minha neta!

SANTOS

O quê que foi?

ARLET

Quê que foi o quê?

SANTOS

Quê que foi?

ARLET

Ai, meu Deus, você é maluco, cara?

SANTOS

Quem eu? Ah não, sua filha! Sua filha é que é louca!

ARLET

Eu não tenho filha!

SANTOS

Mas vai ter, você tá grávida!

ARLET

Puta que pariu, insano desgraçado, para de me rogar praga, seu peste!

SANTOS

Praga? Você acha que filho é praga?

ARLET

Não. Não acho, mas eu não quero ficar grávida nesse momento...

SANTOS

E em qual momento você gostaria de ficar grávida?

ARLET

Num momento mais propício!

SANTOS

Mas todo momento é propício para gravidez... Não vê a mulher do apartamento? Tá grávida de Choppin! Não faça isso! Fique grávida! Vou cantar Amado Batista em sua homenagem!

ARLET

Cruz!

SANTOS

Pare de tomar a pílula... Pare de tomar a pílula... Porque ela não deixa nosso filho nascer...

ARLET

Cara você quer largar do meu pé? Eu vou chamar a polícia!

SANTOS

Polícia? Tem polícia aqui não, moça... Aqui é terra sem lei.

ARLET

Sem lei estava seu pai quando fez você.

SANTOS

Meu pai não me fez.

ARLET

Ah não? E quem fez?

SANTOS

Minha mãe, sou filho só de mãe! Meu pai é elemento de um coquetel. Sou filho de coquetel!

ARLET

Coquetel?

SANTOS

É que minha mãe era prostituta! Ela não sabe quem é meu pai... Expediente todo dia... O dia inteiro... Muitos clientes... Sabe como é... Cabelo de um... Nariz do outro... Cada hora ela me acha parecido com algum. Ontem ela me disse que eu era filho do Padeiro, semana que vem ela diz que é do dentista.

ARLET

Do dentista, por que?

SANTOS

É que ela tá precisando fazer um canal.

ARLET

Ah, entendi... Coisa mais doida!

SANTOS

O quê que foi?

ARLET

Ai, caramba... Sai daqui, cara! Você tá me deixando nervosa com essa coisa toda!

SANTOS

Com essa coisa toda de que?

ARLET

De “o quê que foi?”

SANTOS

Quê que foi o que?

ARLET

Escuta: de qual sanatório você fugiu, heim?

SANTOS

Sanatório? Vixeeeee... Você tá me achando maluco?

ARLET

São é que não, né? Pelo amor de Deus!

SANTOS

Que foi?

ARLET

Porra, que foi o quê, menino?

SANTOS

Que você tá olhando assim pra mim?

ARLET

Porra nem tô te olhando, se liga!

SANTOS

Sou filho de chocadeira não, porra! Você tá pensando isso mas eu não sou não! Preconceituosa! Minha mãe me deu a luz, cavala! Ela deitou na maca, abriu as pernas e “hummmmmmm... hummmmmmm... hummmmm....” Saí entalado assim de uma maneira que nem Jesus teve pena! Enrolou o cordão humbilical no meu pescoço. Me tacaram a mão na bunda e “coéeeeeeeee, coéeeeeeeeee, coéeeeeeeeeeee...” Maria de Nazaré! Gritou minha avó! Só depois que ela viu que eu era menino!

ARLET

Puta que pariu! Me deixa em paz! Nada do que você fala faz sentido!

SANTOS

E você aqui… Faz algum sentido?

ARLET

Como assim?

SANTOS

Tem algum sentido essa coisa toda?

ARLET

De que?

SANTOS

De você aqui?

ARLET

Porra a única coisa sem sentido aqui é você!

SANTOS

Você acha mesmo? Acha?

ARLET

Acho!

SANTOS

Pois eu digo que sem sentido é você!

ARLET

Ah é? E por que?

SANTOS

Porque você é meio assim... Sem sentido algum!

ARLET

Porra! Obrigado pela resposta! Clareou tudo!

SANTOS

O quê que foi?

ARLET

Ai, para de perguntar o quê que foi!

SANTOS

Quê que foi o que?

ARLET

Olha, cansei de você, vai ver se eu estou lá na esquina vai?

SANTOS

Na esquina?

ARLET

É! Vai lá vai...

SANTOS

Vou não...

ARLET

Por que?

SANTOS

Lá na esquina tá a gorda comendo doce!

ARLET

E o quê que tem?

SANTOS

“Quando eu nasci, não tinha talco... Mamãe passou açúcar ni mim...”

ARLET

Ai, puta que pariu, ela não vai querer te comer!

SANTOS

Vai.

ARLET

Hã, só você mesmo!

SANTOS

Vai, estou te dizendo! Olha gorda come qualquer coisa...

ARLET

Qualquer porcaria, você quer dizer...

SANTOS

Não, imagina! Só come do melhor! Só do melhor!

ARLET

Ah, tá bom...

SANTOS

Qualquer porcaria come mulher cega! Gorda não!

ARLET

Porra, garoto, se exerga!

SANTOS

Não dá!

ARLET

Por que?

SANTOS

Não tem espelho!

ARLET

Ai, porra, toma! Olha! Olha! Tá vendo? O quê que você vê?

SANTOS

Você!

ARLET

O que?

SANTOS

O quê o que?

ARLET

Você se olha e me vê?

SANTOS

Mas é claro!

ARLET

Por que?

SANTOS

Por que eu sou você!

ARLET

Hã? como assim?

SANTOS

Eu sou você!

ARLET

Ai, pára menino! Eu não sou você! Quer dizer, você não sou eu! Não pode!

SANTOS

Como assim não pode?

ARLET

Você é homem e eu sou mulher!

SANTOS

E...

ARLET

E o que?

SANTOS

E o quê o quê?

ARLET

Que você é homem e eu sou mulher!

SANTOS

Ah... O que é que tem?

ARLET

Você falou eeeee... Como quem diz “isso quer dizer que...”

SANTOS

Que não tem nada a ver... Eu sou seu lado masculino!

ARLET

Pára que mulher não tem lado masculino!

SANTOS

Ah não? Então pega aqui! Pega!

ARLET

Eu não consigo te pegar!

SANTOS

Tá vendo? Eu sou você! Você não consegue me pegar porque eu sou você!

ARLET

Mas não pode!

SANTOS

Pode! Eu sou você!

ARLET

Como assim?

SANTOS

Você está em crise! E no meio da rua! Quem fugiu do sanatório foi você, ou melhor, nós dois...

ARLET

Nós dois?

SANTOS

Foi, não se deu conta?

ARLET

Não.

SANTOS

Todo mundo aqui é você...

ARLET

Todo mundo quem?

SANTOS

Todo mundo... As pessoas ricas passando nos carros, a gorda comendo doce, o trombadinha da esquina e a mulher que tocava Choppin na buceta.

ARLET

Eu toquei choppin na buceta?

SANTOS

Tocou. Como uma mestra! Pianista de primeira!

ARLET

Mas a mulher tava no segundo andar, bicho!!

SANTOS

É que choppin é bom... Mas se fosse Mozart você estaria na cobertura, com certeza!

ARLET

Você tá me deixando confusa, cara! Pelo amor de Deus! Eu não toquei Choppin na buceta! Não no meio da rua!

SANTOS

Tocou sim!

ARLET

Porra, Não toquei, eu não sei uma música do Choppin!

SANTOS

Sabe sim! Quer ver? Fecha os olhos e escuta. Fecha!

Ela fecha os olhos e tenta escutar...

SANTOS

Tá escutando?

(Toca música do Choppin)

ARLET

Foi isso que eu tava tocando?

SANTOS

Não o que você tava tocando era isso...

(Toca outra música de Choppin. Ele rege.)

ARLET

Aiiiiii... que rápido!

SANTOS

Humrummmm... Insana você! Louca, louca, louca! Ninguém nunca tocou isso tão rápido. Ih, caramba, eles te acharam…  Estão chegando...

(Entra um grupo de enfermeiros que se aproximam em câmera lenta.)

ARLET

Eles quem?

SANTOS

Os maestros.

ARLET

Que maestros?

SANTOS

De branco! Corra Lola Corra!

ARLET

Não consigo.

SANTOS

Por que?

ARLET

Eu sou gorda!

SANTOS

Não, não é... A gorda era o seu medo! Você é magra! Corra, Lola, Corra!

ARLET

Ai, droga, eles chegaram. E agora?

SANTOS

Agora você vai com eles... Porra, Lola, Porra!!!

ARLET

Você não vem?

SANTOS

Não.

ARLET

Por que?

SANTOS

Porque eu sou a sua vontade.

ARLET

Mas que vontade?

SANTOS

De liberdade!

ARLET

Será que a gente se encontra de novo?

SANTOS

Se você fugir...

ARLET

Então eu fujo!

SANTOS

Foge, foge sim... Assim a gente se encontra! E você pode ser o que quiser! Eu vou estar te esperando aqui!

(Os enfermeiros a levam. Santos a observa sendo levada lentamente pelos braços, abre um frasco de remédios e toma um comprimido, em seguida olha para o frasco.)

SANTOS

Se você parasse de tomar isso... Nunca ia se esquecer de mim!

B.O

Fim

quarta-feira, 12 de maio de 2010

EXCEÇÃO À REGRA

Poderia chamar isto de pequena homenagem, de grito feliz de liberdade ou qualquer outra coisa assim. Mas prefiro dizer que é um pequeno momento em que desejo compartilhar um pouco dessa minha felicidade com vocês (leitores curiosos). Desde que saí do Nordeste, prometi a mim mesmo que lutaria pelos meus ideais e que caminharia sempre em busca da felicidade. A história não foi bem assim o tempo inteiro. Até aqui foi mais de luta e de alguns poucos momentos da tão estimada e genuína felicidade. Hoje, especialmente hoje, eu não venho aqui para postar mais um texto para que as pessoas que acompanham este blog possam ler, não posto informes de trabalhos e/ou espetáculos que estou desenvolendo ou participando, nem de filmes em que estou trabalhando como ator ou roteirista. Hoje, especialmente hoje, faço uma “exceção à regra” e compartilho com vocês, que ora “me lêem”, um pouco de uma história real, de sentimentos reais de uma pessoa real que, doravante, é exatamente esta que lhes escreve. Sem personagens inventados, sem esse quê de trama, de fardo, de sujo, grotesco e de surpreendente, de amor complicado, e até de delicado (inventado) em que habitam a maioria das histórias que aqui por vezes publico. Hoje, especialmente hoje, quero falar de vida real.

A especialidade desse dia casual, recebendo um vento agradável da janela de um apartamento num dia ensolarado de maio nesse Rio de Janeiro é uma só: A FELICIDADE. Com quase 16 anos de carreira, eu achei que nada mais me surpreenderia na profissão à nível pessoal. E eis que chega uma certa obra do Stravinsky que mudou a minha vida. Entrei neste espetáculo realmente tentando me acostumar com a idéia de ficar só à nível sentimental. De não querer amar outrem que não fosse à mim. Calma! Não estou falando de amor fraternal, este o terei sempre dentro de mim à toda hora, mesmo porque amo o ser humano em suas diversas manifestações. Não fosse por isso, não seria ator e muito menos um pretenso escritor. O que estou falando é do amor passional.OgAAAGYPGUKI_m_A-nvYlo3zFrB5pJLLc2wDPCx991bNcVaV7HyMxwZ0eKOP4IJZtaZ4SromxdL_kQ_QTXfMgvvWsS4Am1T1UJ0_X6tozWdOWZNTkVn0wuzU0OnW

Eu hoje acordei meio que de supetão. Despertador tocou e lá vou eu para a correria de sempre. Com a cabeça já funcionando à 400 por hora. “Faz o café, escova os dentes, vai na banca, aproveita para olhar as manchetes do jornal, volta para casa, toma o café, senta no computador, olhas os emails e produz, mizerável, produz!!!”  Ou seja, um dia como outro qualquer… Daqui a pouco saio e vou produzir num ensaio, depois preparar um elenco, sentar ali e ver o que os atores vão fazer (será que vão criar algo hoje?). Mas hoje também levantei um pouco assim diferente.  Como todos os dias, tento me notar, tento parar por um instante e analisar minha vida. E analisando-a neste momento, vejo que estou muito mais feliz que ontem. Eu tive um caso de amor e ódio com o Stravisnky (mais amor que ódio) e hoje pensei um pouco nisso. Neste espetáculo que fiz, cujo texto é do Ramuz, eu cheguei meio que assim… Para mais um trabalho feito com carinho, respeito e dedicação. E eis que o universo conspira para que eu fosse o Soldado. Não obstante, já estive na pele de outros soldados, mas este, deveras, me foi especial.

CANON_31Na loucura para levantar um espetáculo paralalo à este, na correria de sempre, eu pensava em tudo, menos em viver um outro relacionamento. Não um que fosse fora daquele que vivia o estimado Soldado do Stravinsky e o que tenho com o teatro. Na vida eu sou meio como um soldado. Sempre à postos para o trabalho, buscando, lutando, passando por cima de trincheiras e arames farpados, sem atirar em ninguém, mas me defedendo das bombas, é claro… Esta tem sido a minha história até até aqui. Contudo, no meio disso tudo, encontrei-me pela primeira vez num impasse: Apaixonado pela atriz que fez o espetáculo. Em 15 anos de profissão já vivi de tudo e já fiz cenas de todos os tipos com atrizes muito bonitas inclusive, mas nunca antes houvera me apaixonado por nenhuma delas. No espetáculo do Stravinsky não tinha nada demais à nível de cena, tudo muito simples: dança, interpreta, pega no colo, dá selinho…  (Selinho eu dou na mamãe!!!), enfim, toda essa coisa técnica de qualquer espetáculo. O fato é que nem quando dei beijo de língua numa atriz em cena consegui me envolver (obs: o beijo de lingua era de comum acôrdo nos ensaios de um filme e foi à pedido da direção. Não costumo  surpreender ninguém enfiando de repente minha lígua na boca… Quando isso acontece, tudo é sempre friamente calculado, combinado e estudado para ver mesmo se é necessário). Sendo assim, aos meus olhos, nesse espetáculo não havia nada demais. Contudo, essa coisa boba foi tornando-se séria ao passar do tempo e não pelo selinho e não pelo espetáculo, mas por uma coisa meio sem explicação que transitava dentro da gente. A situação foi-se agravando ao ponto em que eu mesmo me perguntei: “O que está acontecendo comigo? Será que estou “apaixonado? Tenho que ser profissional!” Mas profissional eu sou sempre! Seja em que tipo de cena for. E se eu disser que lutei contra essa coisa toda, ninguém acredita. Mas é a mais pura verdade. Eu não queria me apaixonar por nignuém por um bom tempo,mesmo porque tinha acabado de sair de um casamento e estava só querendo gostar um pouco mais de mim. Mas ela, a princesa na pele de Adriana ou a Adriana na pele da princesa, foi-me consquistando assim, sem querer, aos poucos, mesmo sem ver.

CANON_31Atriz, bailarina, Adriana conquistou mesmo meu coração.  À ponto de me fazer dizer outro texto que eu queria dizer e não podia por trás do texto do soldado (metalinguagem dramaturgica ou sentimental?). Então acabava dizendo o texto do soldado de forma extremamente metafórica (“…agora na realidade eu tenho tudo e tudo me completa” – por trás disso, por vezes, vinha um monólogo inteiro, porque, na realidade, andava sentindo-me meio vazio, e nada mais me completava...)   Mas, um pouco antes disto, eu estava tentando me desfazer de tudo, à todo momento lutando para não me apaixonar novamente, por medo de sofrer, medo de sofrer, medo de sofrer! O Soldado de Stravinsky tinha uma mancha de sangue no coração. E eu também tinha! Não queria correr o risco de me ferir mais ainda… Mas ainda bem que essa luta minha foi em vão! Acho que é primeira vez que me sinto bem ao dizer: Fracassei! Acabei não só me apaixonando pela princesa, tal como o soldado, mas, mais que isso, amando-a incondicionalmente. Foi tudo assim muito “lincado” muito sincero, genuíno, verdadeiro, honesto, limpo, encontrado, abençoado pelos Deuses do Universo e do Teatro. O teatro já me curou muitas vezes, nos sentidos mais vastos que se possa imaginar, tanto que acho que ele gosta mesmo de mim. Mas é bom que se saiba que não misturei as coisas, que não misturei Adriana na pele de princesa e nem a princesa na pele de Adriana. Esse equívoco nunca cometi. É que minha relação com o teatro é mesmo assim: Ele me dá tudo, porque sabe que tudo eu dou para ele. E, dessa vez, eu não me apaixonei só pela personagem. Eu me apaixonei pela atriz, pela pessoa mesmo: Adriana. Hoje, estamos vivendo uma linda história de amor e pela primeira vez na vida estou tomado pela mais pura e genuína felicidade. Temos uma relação de respeito, carinho e de muito amor um pelo outro e pelo trabalho. É tudo um tanto quanto mágico, À PONTO DE DESEJARMOS JUNTOS UMA COISA E ELA ACONTECER; DE PROCURARMOS UMA LOCAÇÃO E ENCONTRARMOS O QUE SERIA A MELHOR LOCAÇÃO DO RIO DE JANEIRO PARA O NOSSO PRIMEIRO PROJETO JUNTOS. Tudo se encaixa e caminha em harmonia com o universo.  Estou amando Adriana de maneira indescritível, sem tons de marrons, negros ou cinzas. Amando de maneira muito clara, madura, objetiva. E a cada dia que se passa as coisas se concretizam mais e mais. Temos assim uma abertura inenarrável um com o outro, sem limites, sem fronteiras, sem espasmos… Somos uma ponte com vias de mão dupla, o alicerce um do outro sempre. Assim tem sido, para mim, todos os dias… Agora a minha busca é só por conservar essa felicidade e por alcançar meus objetivos enquanto artista.  E tendo uma  relação tão boa assim, confesso que fico até mais otimista e com mais entusiasmo para tudo. Viva o amor e a felicidade! Pois um faz parte do outro quando os dois são verdade. Quero cuidar desse amor como tentou cuidar da Princesa o Soldado de Stravisky. Bailando, defendendo, segurando no colo, tocando violino e usando seu arco para proteger a princesa do maligno. Não permitindo que nada a ferisse ou a maltratasse. Embora tenha notícias de que princesa era má, no original de Ramuz, tenho certeza que esta não é a verdade da minha princesa, mesmo porque, esta foi uma outra montagem!

Compartilhado um pequeno capítulo da minha história de verdade… Sigo agora escrevendo novos capítulos… Para que os meus outros desejos também se tornem realidade!

E, para mim, parou por aqui:

Adrianaminhamulher… EUAMOVOCÊ!

Produçãooooo e depois ensaioooooooooo!!!!!

CANON_31OgAAAMB1boc2qxG9sB-mO9p7MOuZjwS92GYq6XxU96Gq7ruKdlYHu7VEm_9b3JIC4wSTxKD6q6BXwEbjtvy0oYNsCtAAm1T1UAypZe37l7CDNLQmQArd6nkj-vrh    OgAAABzs4SwgIlBet9m4aAz_wP2T8HCLGaw_ajGxvmWp5hs9IbtNY8ZIh-JS_wwjkrZkomvSca75J1_KosxxVzFwiPcAm1T1ULrvBwwfzY6oKhySUMVyVcc5aqUn CANON_31

 

Exibir Me and Miss Jones

 OgAAAEIxvED1HYyQ_45ouYNZd5YwixM0Gy6FvY38ZUi3Hn6PrNti5u2osBFpTuQObAApUhmIFPqJwpnRCII3GyJ3qgQAm1T1UJXm9a-bD2HgdpegpL02UX_4_RpcOgAAAGML96-8T2adw7_eywyFayFKh-jrCfaORcel568-ghDEPC4SqQB8z0eQLtV2Y0wuw3cpEZDKumBNrm_9eEaIVPIAm1T1UKJRe-IqcGHgvKjF-O4YQyRRKcCr

     OgAAAErGIaKJgy3PQeYi4gmsay63Ly_1CnLFxCappuFAPpTp_7MhGTQTcUmGBp7K5FaS32Q2buq6wXAsmknXT7AynVEAm1T1UPUvVoBYwAwvSdRJqWXLDlsa7gyI OgAAAFSM_aAmnPJ81zScMnKYlVgWyvfkriO8PEbpjHqTtP3Le4muM_cP6dyy4-RAJlzeO_lgW_alKQec5rHh4xVih_YAm1T1UCcjbigaHfYZ8mOXdUgdKFcmbwmZ

OgAAAPDZVUw2rFdD_X9REeq_ofsK_1Kn8U3Kwb_4aVHSpeShx8coZdNmnsFf2N0r_je_Y0tpPi93cFQr929G4kAAnXMAm1T1UI1_O4eiu76HZELUfGW3pEaJKqQ9