quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Língua


Língua


Minha língua te lambuza

Te fere

Te corta

Te usa

Minha língua não é tua

Te cobre

Te molha

Te deixa nua

Minha língua não é covarde

Mas te bate

Te invade

E te cunha

Minha língua não abusa

Só diz a verdade

Não late

Não mata

Só cura!

De Nada e de Tudo ou De Todos e de Ninguém Completamente



De Nada e de Tudo ou De Todos e de Ninguém
Completamente


Repouso meu corpo sobre o teu
Repouso em ti a minha pele;
O meu peito;
Meu lado seu.

Mas, seu, não sou somente
Porque não nasci para aprisionar o meu corpo;
A Minha mente.

E embora seja inteiramente
Um lado seu,
O outro é de ninguém,
Nem mesmo meu.

Mas entrego-me a ti completamente;
Planto-me em tua terra como semente;
E nesse instante podes sim dizer que eu sou teu.

Porque sou todo
De cada coisa a que me entrego
E não nego:

Um lado meu agora é seu;
O outro lado já não é meu;
E o meu todo será daquilo que roubar-me,
Por um instante, desse mundo meu.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Para Achar que a vida é boa!

É neste pequeno espaço

entre o vago, o mudo e o silencioso que me encontro.

É nesta ínfima gota d’água que pinga e respinga,

molhando veementemente minha alma, que me faço um ponto.

Eu desejo,

E ensejo,

A mais pura, expressiva e etérea verdade

Sobre tudo aquilo que está na face

Desse nosso mundo Shakespeareano.

É neste pequeno espaço que me faço mundano.

Sou promíscuo, sou devasso, sou insano;

Sou omisso, sou nefasto, sou profano.

E quantas vezes tive que ser este ser sem graça?

Um ser que se apavora

e adoece

e adormece

e enriquece

e empobrece

e engole

o que é pra se pôr pra fora!

Empresto o meu vago, o meu mudo e silencioso ser

Para ser outras pessoas.

Empresto tudo aquilo que observo

E tudo aquilo que serve, de mim, para criar outras pessoas.

Alugo-me para sonhar

e para achar que a vida é boa!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Professor Mathias!

Queridos amigos e leitores;

Peço desculpas pelo tempo que passei sem publicar... A vida anda, e este atarefado moço precisa trabalhar! Contudo, roubo das vinte e quatro horas um minuto a mais para falar de um livro que recebi esta semana! "Grande Amor que Há em Você!" de Mathias Lins Filho, para os desinformados, trata-se do meu querido avô! Sim senhor, o meu professor! Quando criança li e ouvi muitos dos seus escritos. Ouvi pessoas falando, discutindo, reuniões íntimas em que algo novo sempre era apresentado... E eu, como sempre, estava lá. Talvez tenha surgido daí o meu prazer e a minha paixão pela expressão literária!

Mas, Mathias não é só um escritor, é, antes de tudo um artista! E entre outros talentos, também desenha belissimamente. Até tentei, quando pequeno, que ele me ensinasse alguns traços, mas, de fato, não tenho vocação para ser desenhista! Preciso assumir! É um tanto quanto difícil ler uma obra de quem se conhece muito e por quem se tem amor e carinho inenarráveis. Contudo, pondo-me apenas na alçada de leitor, e não mais que isto, digo que o "seu" Mathias, vai fundo em diversas páginas do seu livro... Dos poemas que li, transcrevo aqui dois dos que mais me deixaram bestialmente encantado! Pela simplicidade e pelo encontro com a magia literária do autor... Deixando-me sentir saudades dessas coisas simples do nordeste e quase que a imaginar-me num banco de praça ou sentado à varanda de casa , ouvindo o "tac tac..." da velha máquina de escrever em que vi vários desses versos nascer... Além, é claro, dos bate-papos sobre coisas que se sabe que existe, que até se pode pensar, mas que nunca se quer ver! E para quem quer ler, aqui está somente o que me sinto autorizado a transcrever:

Nos Domínios do Tempo

O tempo é o espaço de uma vida a pulsar,
É o alvorecer róseo dos dias primeiros
e o entardecer dos instantes derradeiros

E na vida, temos também o vento que aparece,
Ora como brisa a perfumar;
Ora como ciclone a torturar.

E, no final, o vento pára, não se move,
marcando a face daquele que morre.

O tempo é peralta, buliçoso,
levando-nos às alegrias dos dias idos e vividos,
que ninguém se apercebe como são velozes,
esses dias percorridos.

O tempo ensina e dá diploma
Àqueles que na vida a vida assoma,
O tempo dá e o tempo toma...
E o orgulho, o tempo doma.

Grande Amor que Há em Você

Amor:
Só você sabe,
Só você conhece,
Só você quer.
E no seu querer,
sabe, conhece e vê:
O amor que rejuvenesce,
A vida que enaltece,
O amor que crê.

Amor:
Só você inspira amor,
Só você respira amor,
Só há amor em você.

Por isso,
Você conhece,
Sabe e crê
No grande amor que há em você.

Mathias Lins Filho