Deitas tua cabeça no meu colo
És tão branca quanto negra
Aliso teus cabelos,
Acaricio tua face;
És tão branca quanto negra
Aliso teus cabelos,
Acaricio tua face;
Pareces morta,
Mas é só tua mente que se desloca;
Pareces fria,
Mas talvez seja a minha nostalgia
Nesse tempo rebelde
Cheio de encontros e desencontros
Cheio de correrias.
Pai, mãe, filho, profissão, agonia.
Parecem brancos os teus cabelos
E, no teu rosto, rugas até já vejo.
Desnudas de ti todas as tuas preocupações,
Teus anseios, angustias...
Os nossos meios te deixaram mesmo mais madura.
Roubaram de ti um pouco da juventude crua.
Agora, enquanto meus dedos percorrem teus brancos cabelos,
Teus olhos tentam ficar abertos, travando desafios.
Queres esquecer, por um instante o calafrio?
Queres viver, por um momento, um tempo sem tempo?
Mas todo momento tem um tempo.
E esse tempo terá passado quando acordares.
Mesmo assim, cerras teus olhos.
"Respira teus ares, pobre criança!
Descansa!
Só não percas a esperança!
Posto que quem busca realmente alcança,
Senão o objetivo, ao menos outra esperança!"
E assim há de ser
Até que eu veja brancos todos os teus cabelos
Até que eu não precise mais de atenção
Para observar as tuas rugas.
O que hoje desnudas
Amanhã não será vestido.
E o que amanhã vestiremos, não terá sentido.
Posto que o que o tempo se encarrega de mostrar-nos
Ele mesmo se encarrega de fazer-nos esquecidos.
Não importa com o que hoje você se importa.
Oportunamente, importar-se, será inoportuno.
As tuas rugas te dirão mais claramente
O que hoje a sua mente não pode perceber.
Aproveites esse momento de tua cabeça no meu colo,
Pois, em breve, o meu ser e o teu ser
Terão outro modo de ser
E já nem estaremos tão mortos de tanto viver!
Apenas estaremos...
Tanto eu, quanto você!
Mas é só tua mente que se desloca;
Pareces fria,
Mas talvez seja a minha nostalgia
Nesse tempo rebelde
Cheio de encontros e desencontros
Cheio de correrias.
Pai, mãe, filho, profissão, agonia.
Parecem brancos os teus cabelos
E, no teu rosto, rugas até já vejo.
Desnudas de ti todas as tuas preocupações,
Teus anseios, angustias...
Os nossos meios te deixaram mesmo mais madura.
Roubaram de ti um pouco da juventude crua.
Agora, enquanto meus dedos percorrem teus brancos cabelos,
Teus olhos tentam ficar abertos, travando desafios.
Queres esquecer, por um instante o calafrio?
Queres viver, por um momento, um tempo sem tempo?
Mas todo momento tem um tempo.
E esse tempo terá passado quando acordares.
Mesmo assim, cerras teus olhos.
"Respira teus ares, pobre criança!
Descansa!
Só não percas a esperança!
Posto que quem busca realmente alcança,
Senão o objetivo, ao menos outra esperança!"
E assim há de ser
Até que eu veja brancos todos os teus cabelos
Até que eu não precise mais de atenção
Para observar as tuas rugas.
O que hoje desnudas
Amanhã não será vestido.
E o que amanhã vestiremos, não terá sentido.
Posto que o que o tempo se encarrega de mostrar-nos
Ele mesmo se encarrega de fazer-nos esquecidos.
Não importa com o que hoje você se importa.
Oportunamente, importar-se, será inoportuno.
As tuas rugas te dirão mais claramente
O que hoje a sua mente não pode perceber.
Aproveites esse momento de tua cabeça no meu colo,
Pois, em breve, o meu ser e o teu ser
Terão outro modo de ser
E já nem estaremos tão mortos de tanto viver!
Apenas estaremos...
Tanto eu, quanto você!




1 comentários:
Estava ouvindo a canção "Sim", de Cartola, na voz de Ney Matogrosso enquanto lia seu poema. Um arrepio percorreu toda minha espinha. Suas palavras poderiam ser minhas, num tempo sem tempo...
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