quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Para Achar que a vida é boa!

É neste pequeno espaço

entre o vago, o mudo e o silencioso que me encontro.

É nesta ínfima gota d’água que pinga e respinga,

molhando veementemente minha alma, que me faço um ponto.

Eu desejo,

E ensejo,

A mais pura, expressiva e etérea verdade

Sobre tudo aquilo que está na face

Desse nosso mundo Shakespeareano.

É neste pequeno espaço que me faço mundano.

Sou promíscuo, sou devasso, sou insano;

Sou omisso, sou nefasto, sou profano.

E quantas vezes tive que ser este ser sem graça?

Um ser que se apavora

e adoece

e adormece

e enriquece

e empobrece

e engole

o que é pra se pôr pra fora!

Empresto o meu vago, o meu mudo e silencioso ser

Para ser outras pessoas.

Empresto tudo aquilo que observo

E tudo aquilo que serve, de mim, para criar outras pessoas.

Alugo-me para sonhar

e para achar que a vida é boa!

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